Olá, Princesas, feliz 2008 a todas!
Primeira mudança do ano (porque no decorrer do período tem mais...) - em homenagem aos meninos que visitam este blog, anônimos que mandam emails, ou mais conhecidos, como o querido Glauco Sabino, do Descolex, esta é a última vez que vou me endereçar às princesas somente - os meninos são mais que benvindos também!
Este primeiro blog do ano quer falar sobre a não-superficialidade das coisas. Meio paradoxal quando se lida com imagem e moda? Nem um pouco. É a proposta de uma reflexão antes de começarmos o ano com todos os nossos assuntos preferidos!
A idéia que a Maria Prata, do prataporter, tem para se comunicar com as pessoas é genial - o blog dela é direcionado para quem não sai por aí sem roupas. Isso é mais ou menos o seguinte - a idéia de que moda e imagem são superficiais e que alguma pessoa na face da Terra está imune a sofrer algum tipo de influência/preocupação, ou como queiram chamar, quando acorda pela manhã e escolhe algo do guarda-roupa é tão ultrapassada que eu já nem discuto.
Algo que para mim já ilustrava muito bem a não-superficialidade e a importância de toda essa indústria era o banho de informação que Miranda Priestly dá em Andrea quando ela fala sobre o azul-cerúleo, lembram dessa parte? E também quando a gente pára para pensar quantos pais e mães de família dependem da indústria da moda, a que mais emprega no Brasil?
Desprendimento
Quais são as nossas reais necessidades? De que a gente realmente precisa? Coco Chanel, por exemplo, dizia que o luxo é uma necessidade que começa onde as necessidades acabam. Mas o luxo, hoje em dia, assumiu uma dimensão maior, tornando-se assim mais subjetivo. Não é mais o mercado que dita o que é luxo ou não. Diante de tantas ofertas, de tanta acessibilidade, e da própria proliferação do luxo, as pessoas perceberam que algo que todo mundo tem, ou pode ter, não faz disso luxo só porque caro - o verdadeiro luxo está nas coisas que de alguma maneira tocam a nossa essência. Não estou pregando o não-consumismo ou o declínio do luxo - este continua em franca ascensão, uma indústria de 157 bilhões de dólares. Mas tudo vem se tornando mais simples, bucólico até. Na revista Vida Simples de dezembro de 2007, o papa do luxo no Brasil, o querido Ferreirinha, disse que, para ele, luxo é poder ir ao cinema na sessão da tarde (confesso que essa também é uma idéia recorrente para mim - delícia!). E ainda propõe um exercício. "(...)anote tudo que tem alto valor emocional e que lhe é raro. Pode ser tomar um cafezinho num lugar que você adora, mas aonde não consegue ir sempre, sair do trabalho com o sol ainda raiando no céu, lagartear sem fazer absolutamente nada. Tudo o que é difícil de realizar com o estresse da vida moderna pode ser um luxo", diz Ferrerinha.
Na contramão disso, consumir é o verbo do momento. Nós consumimos absolutamente tudo à nossa volta - objetos, idéias, sensações, celebridades, informações, filmes, programas de TV, sentimentos, e tudo é tão rápido que a gente sempre quer mais e mais. Mas nessa ânsia de tentar saciar uma fome de informação, de felicidade e tantos outros sentimentos, a gente pode tentar fazer a nossa parte.
Para se ter uma idéia, existe nos Estados Unidos um movimento pela redução do consumo, que, mais do que economizar dinheiro, visa tornar a vida das pessoas mais simples (mas realmente os Estados unidos são consumistas demais e vendem todo tipo de gadget, assim já é covardia!). Um livro lançado lá super polêmico é o Not Buying It: My Year Without Shopping, onde a autora Judith Levine relata as experiências de um ano sem fazer compras que não fossem absolutamente necessárias. Dizem que é leitura essencial aos shopaholics, para que tenham mais consciência antes de sacar o cartão de crédito.
A moda se mobiliza
A moda - e as pessoas que consomem moda - não ficou imune a todo esse movimento. Talvez mais forte que essa tendência a se voltar para dentro de nós mesmos tenha sido a preocupação com a sustentabilidade, que dominou todas as esferas em 2007. O aquecimento global até levou algumas editoras de moda a apostar que no futuro teremos menos coleções a cada ano, em função de estações menos definidas e invernos não tão rigorosos. E nós, o que podemos fazer?
. aproveitar o começo do ano e fazer aquela limpeza no guarda-roupa antes que o ano realmente engate (vou fazer um post sobre isso ainda esta semana, aguardem). O resultado pode virar moeda de troca em bazares entre amigas, dinheirinho em brechós ou um carinho para aquelas pessoas que precisam da roupa mais que você;
. passar a frequentar brechós (legais) - alguns que sugiro são o Trash Chic, o Juicy by Licquor, o B. Luxo, o Re Portela;
. comprar de marcas que estejam preocupadas com a questão da sociabilidade, reciclagem, uso de matéria-prima orgânica;
. comprar de empresas que não utilizam trabalho infantil, trabalho escravo, poluentes;
. comprar de empresas que invistam no meio-ambiente, nas pessoas, nos próprios funcionários (vale desde as 100 Melhores Empresas para se trabalhar àquela loja em que sua amiga trabalha...e ama!);
. fazer uma pergunta crucial, e responder honestamente, no momento da compra: "será que preciso disso mesmo?" ou "quantos vestidos da minha vida eu tenho no meu armário?". Uma dica legal é ir para casa e pensar pelo menos até o dia seguinte se "aquela" nova aquisição é realmente necessária ou se a gente pode viver sem ela;
. antes de comprar pelo simples ato de comprar, respeitar os recursos naturais utilizados para se fazer aquele produto... e seu dinheiro também.
Para quem ainda não fez promessas para 2008...
aqui vão algumas sugestões:
. cobrar-se menos, relaxar mais, ter menos hora marcada, usar menos relógio (adoro relógios, mas não usá-los para mim sugere uma libertação total!);
. não ficar sempre no "carão" e na pose, toda montada, não se levar tão à sério - e ter isto refletido nas atitudes e no jeito de se vestir;
. se "mimar" mais, se tratar bem, se proporcionar bons momentos e desfrutar plenamente deles - um bom filme, uma massagem, um cheiro gostoso, um cantinho confortável só para você;
. arrumar um animal de estimação.
Nenhum radicalismo é bom. Não estou pregando o fim do consumo - consumir é bom e necessário, beneficia a economia e a sociedade e nos faz bem, em suas devidas proporções. A nossa imagem também é muito importante, é nosso cartão de visitas, e devemos usá-la a nosso favor. Durante este ano, vou procurar ajudar a todos com dicas sobre moda e imagem, minhas especialidades, para que todos possam conhecer um pouco mais destes assuntos e ter mais ferramentas para se conhecer e se mostrar. Mas tudo na medida certa. Porque a diferença entre remédio e veneno é a dose.
Mais uma vez, benvindos!